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segunda-feira, 9 de março de 2015

Ausente

Postado por Camilla Lobianco às 08:08 1 comentários
Então, eu já estive desse lado.
Parecendo ter tudo quando não se sente parte de nada.
Só uma sobra,
uma ocupação de espaço,
um nome para se atirar ao leão,
uma dor curável com comprimidos.
Poeticamente vazia,
Ironicamente inesgotável.
Dolorosamente pensante.
O lado que poucos conheceram,
Um buraco negro no fundo do lago azul,
A escuridão dentro de uma explosão de cores.
Profetiza de palavras,
Ilusionista de sorrisos,
Solda de olhos que tudo vêem,
Perdidos em passado, presente e futuro.
Como se não existisse...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Você me assusta

Postado por Camilla Lobianco às 19:46 1 comentários
Há cerca de um ano, após mais de vinte anos de existência, comecei a pensar em política. Não a política que acreditamos ser corrupta e gananciosa, mas aquela que é feita sem que você perceba, bem ao estilo marxismo cultural. Com a verdade é mais ou menos assim: você conhece um ponto, mas não faz ideia de quantas vírgulas uma frase tem. Mas por que falar em política e verdade? Minha resposta é simples: estou apavorada com os fatos. 
Melhor do que conhecer a verdade que alguém embutiu em sua mente é desconfiar. Eu desconfio, mas já acreditei em dados falsos, palavras bonitas e salvadores da pátria. Pensei que o bem venceria o mal antes que tudo se explodisse, mas vejam só, já está tudo se explodindo e o bem está alimentando o mal. Todos estamos alimentando nosso próprio mal. Tenho visto pessoas boas acharem absurda a condenação de criminosos, mas não emitir qualquer opinião plausível a respeito das atrocidades que estão sendo cometidas contra inocentes. Será que ninguém vai levantar a bandeira pelos verdadeiros inocentes?
Ninguém vai sentir a dor de um pai israelense que perdeu um filho para um ataque palestino? Ver as crianças de Gaza te faz chorar, mas pensar nos seis milhões de judeus mortos no holocausto não significa nada, e tudo porque os judeus são considerados um povo rico? É esse tipo de pessoa que você é? Você acredita mesmo que o número de mortes "lá fora" em ataques terroristas é insignificante quando temos cerca de cento e cinquenta pessoas assassinadas por dia no Brasil, mas esquece que nossas fronteiras estão abertas a todo tipo de influência externa (sempre esteve, aliás). Eu realmente espero que você não seja o tipo de pessoa que se veste com uma camiseta com a estampa de Che, quando este senhor teve participação direta em um regime que matou cem milhões de pessoas (sim, um número ainda maior do que o referente ao nefasto nazismo). 
Será que eu também serei chamada de Estupradora por concordar com boa parte das conclusões de Bolsonaro? Aposto que você também achou um absurdo o caso da estudante indiana que sofreu estupro coletivo dentro de um ônibus, do outro lado do globo. Pois é, eu fiquei apavorada, especialmente depois de lembrar de um caso "pouquíssimo" conhecido de um casal de estudantes assassinados no interior de São Paulo, quando a garota de apenas dezesseis anos foi estuprada por vários homens e um menor durante uns três dias, e covardemente assassinada depois. Sabe onde está o menor assassino? Pergunte a uma senhora chamada Maria do Rosário. 
Ora! Vamos ser honestos. Vocês votaram (eu não, porque nem tinha idade na época) pelo Estatuto do Desarmamento, e mal sabiam o quanto levá-los às urnas era uma mera formalidade. Tudo isso para, no ano passado, um grupo de pessoas destroçar, literalmente, uma mulher inocente que julgaram ser uma assassina de crianças, sem quaisquer provas ou plenário. 
E quem confia na polícia? Bom, eu ainda confio. Espero não precisar dela, mas quero acreditar que estará lá quando for preciso. Sei que é duro lidar com o dia-a-dia do crime e jamais vou julgar aqueles que se arriscam todos os dias, por um salário ridículo, quando um único ser cometer um erro. Quem, além de suas próprias famílias, tem chorado por eles quando são emboscados? Aposto que muitos nem acham que eles sejam humanos, embora clamem pelos direitos humanos ausentes nas penitenciárias do país. 
Não sejam estúpidos comparando a pena de morte para condenados por crimes hediondos ao aborto. Isso nem de longe é a mesma coisa. Uma vida em formação (muitas vezes completa, respirando e com o sistema nervoso funcionando) merece muito mais consideração do que as centenas de Champinhas Brasil adentro, mas tudo bem lutar por ambas as vidas. Só não venha se intitular feminista de passeatas a favor do aborto porque, então, serão dois pesos e duas medidas. 
Complicado, não? Pois é, ser polêmico é muito fácil. Descobri uma série de pensadores durante a última campanha eleitoral, cada um mais inteligente do que o outro. Estava tudo ruim, um ano antes, até que tudo ficou bem de novo, como em um passe de mágica. Sabe aquela história de que o pior cego é aquele que não quer ver? Nunca esteve tão em alta...
Maus-tratos a idosos virou rotina nos jornais, ninguém nem discute mais. Enquanto isso, movimentos em favor dos animais ganham força, desde que os bichinhos em questão sejam bonitinhos e latam, porque se miarem viram churrasco ou comem chumbinho. Certo, estou exagerando. Não é bem assim. Existe um bom número de pessoas dispostas a ajudar como podem, intitulados protetores, e eu sei que eles se importam. Ainda bem, porque se depender dos "adoro cachorro, mas só se for da raça tal", os meigos viralatinhas nunca serão amados. Eu vejo hipocrisia...
O novo Papa parece sensato, dizem alguns. Finalmente alguém da Igreja resolveu dizer tudo o que cada grupo de pessoas quer ouvir. Só não esqueçam de que nem Jesus agradou a todos, e ele era só amor. Aos que desejam sangue, quantas palavras poderiam trazer a paz? Os infiéis estão sendo, literalmente, crucificados em algum lugar do Oriente Médio. As escolas ainda ensinam que as cruzadas eram ofensivas cruéis, mas ninguém conta que o avanço do islã levava morte ao Ocidente quando a Igreja resolveu agir. Esses são os fatos, conclua o que te for oportuno. Não caiam nessa de "a religião é o ópio do povo", a sensação do poder é, e não só do povo.
Por fim, faça o que fizer, mas questione o que te apresentam como verdade. Poucas coisas no mundo são absolutas. O mal é uma delas. E, esse mal pode vir travestido de ideologia, revolução e atitude, precisando sempre daqueles que se deixam levar por suas "estorinhas". Opinião é um direito seu, por enquanto. Não se permita levantar bandeira alguma sem que você esteja certo de que sabe o que está defendendo.


 

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